segunda-feira, 18 de fevereiro de 2013

Verdades escondidas.

Era um dia de domingo qualquer quando minha mãe me levou para conhecer a cidade. Muito pequena, mas mesmo assim, grande. Provavelmente fazia calor para onde estavámos indo, mas eu não ligava, pois andava sempre de casaco para esconder as cicatrizes da minha depressão dramática e totalmente teatral, na qual me forçava a esconder seus danos. Estava tão desviada do caminho da minha mãe e não reparei aonde chegamos. Tinha me eximido dos cortes fundos nos pulsos dessa vez. Já que as mangas do casaco eram tão apertadas e o intensivo lisonjeamento de minha mãe para com o lugar era interior mas também, perceptível. Subimos uma escada e vimos um palco. Um palco qualquer, apenas, de apresentações. Nós sentamos em uma das cadeiras da platéia. Minha mãe me molestava apenas com o jeito de lidar com a nostalgia. Relembrou-se da sua infância, e não sei que diabos aquele lugar a costumava se lembrar disso. Ela olhou para mim, sorriu, e passou as mãos em meus cabelos, delicadamente. Senti uma tristeza profunda vindo dela. Estava começando a tremer, meu corpo começava a sentir falta dos medicamentos que por descuido meu, os omitia. Enquanto os pensamentos suicidas e os demônios da minha criação voltavam a dominar minha mente, minha mãe abriu a boca. Disse ela - em um tom calmo - que queria me ver crescer, para me mostrar o quanto eu tinha de ser feliz ainda. Mas, mal ela sabia, que eu não pensava em crescer. Que eu tinha a vontade de - substitui-la pela morte. Ela disse que queria fazer uma pequena viagem em família no próximo verão. Mal ela sabia, que eu pretendia ir embora esse verão. Com lágrimas nos olhos, já com o tom entristecido, disse que iria partir. Com câncer. E mal ela sabia, que eu também pretendia partir. Por suícidio.

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