terça-feira, 26 de fevereiro de 2013

Espreitada por uma razão.

E enquanto se entretia na alegria da multidão, ela pensava em suícidio. Não era nenhum sinal de claustrofobia nem nada do gênero, ela se sentiu atraída pelo cheiro de liberdade que sentia invisivelmente perto da usina que seu pai trabalhava. Os jovens eram tão alegres ali, aproveitando as ruas acesas com fumaças de cigarro passando por cima deles. As luzes brilhavam como um show de neon. Sentindo o calor afundando em seu corpo e suas veias pulsando paralelamente sem chance de dar suspiros naquele ar puramente sujo, sentindo sua mente apodrecendo junto com aqueles grupos da juventude, não pararia de pensar na estupidez que fazia. Ela dava o seu melhor para se enturmar. E puxavam seu braço, sorriam, riam, como se o mundo fosse acabar naquele instante. E revidava com um rosto sério e confuso. Isso a envergonhava da pessoa que ela era. Seguindo os rótulos que ela prometia nunca seguir, nunca agir como eles, apenas... Socializar. Isolando-se do mundo, e se socializando com ele, era isso que a amedrontava todas as noites, desde que sua amada partiu. E ainda lembrava das palavras que dizia para mãe: "Estou fazendo o melhor que eu posso, estou tentando, acredite em mim, estou buscando uma razão para fazer amigos." E continuou tentando. Mas não fazia mais aquilo por ela. Era pela voz que ela ouvia todos os dias quando acordava. Da sua rainha, da sua amada rainha que agora brilha no paraíso onde ela a pode ver, vagarosamente, com pingos de lágrimas caindo sobre seu rosto. Esse era seu único prêmio da sorte.

sábado, 23 de fevereiro de 2013

Desvanece um novo lado.

Todos temos hábitos de desperdício, todos temos apetite por vontades que não satisfazem. E com esses tipos de receio os sonhos acabam e as vistas do que era bom acaba declinando-se para um abismo repleto de perdas incontrolavéis. Se refletem em um espelho no tempo e procuram, procuram, procuram um alívio ou uma saída para aquela mudança de senso da realidade. Acabam mudando os tons, as cores, a velocidade, o estilo de como tudo gira. Para cada erro cometido levam a culpa até alguém que não seja sua pessoa. Jogam tudo para fora da casa ocupando a cabeça dos amigos e parentes. Correm atrás do fogo porque querem. Esperando que tudo caia nas suas mãos como chuva. Ah não, espere. Eu estou falando de mim. Era eu, esperando por mim. Era eu. Não esperando pelas minhas vontades ou hábitos. Era eu, esperando por outra coisa. Era eu, esperando por uma arma carregada de liberdade.

Onde isso vai terminar?

Fase é fase, e isso ninguém pode mudar. Personalidade é pessoal e particular, só quem tem sabe. Estive aguardando por algo que me fizesse ter prazer em passar por alguma fase da vida ou ter orgulho em ter nascido em cima do muro. Minha sensibildade some quando olho para uma direção racional e envolvente com surpresas espirituais diferentes. Um clima calmo e denso, despistando olhares e seguindo as pegadas alheias... É assim que minha cabeça se dirige racionalmente ao encontrar pessoas distraidas com seus entretenimentos. Vivem de olhos abertos para o mundo, mas são tão cegos aos medos banais que ninguém percebe. Ninguém liga. Ninguém dá ouvidos aos paradoxos e ao subliminar que se encontra em sua frente. E quando se dá conta que aquilo está lá, não haverá mais lugar para fraquezas ou incertezas, apenas pelo prazer. O prazer da bela morte.

segunda-feira, 18 de fevereiro de 2013

Verdades escondidas.

Era um dia de domingo qualquer quando minha mãe me levou para conhecer a cidade. Muito pequena, mas mesmo assim, grande. Provavelmente fazia calor para onde estavámos indo, mas eu não ligava, pois andava sempre de casaco para esconder as cicatrizes da minha depressão dramática e totalmente teatral, na qual me forçava a esconder seus danos. Estava tão desviada do caminho da minha mãe e não reparei aonde chegamos. Tinha me eximido dos cortes fundos nos pulsos dessa vez. Já que as mangas do casaco eram tão apertadas e o intensivo lisonjeamento de minha mãe para com o lugar era interior mas também, perceptível. Subimos uma escada e vimos um palco. Um palco qualquer, apenas, de apresentações. Nós sentamos em uma das cadeiras da platéia. Minha mãe me molestava apenas com o jeito de lidar com a nostalgia. Relembrou-se da sua infância, e não sei que diabos aquele lugar a costumava se lembrar disso. Ela olhou para mim, sorriu, e passou as mãos em meus cabelos, delicadamente. Senti uma tristeza profunda vindo dela. Estava começando a tremer, meu corpo começava a sentir falta dos medicamentos que por descuido meu, os omitia. Enquanto os pensamentos suicidas e os demônios da minha criação voltavam a dominar minha mente, minha mãe abriu a boca. Disse ela - em um tom calmo - que queria me ver crescer, para me mostrar o quanto eu tinha de ser feliz ainda. Mas, mal ela sabia, que eu não pensava em crescer. Que eu tinha a vontade de - substitui-la pela morte. Ela disse que queria fazer uma pequena viagem em família no próximo verão. Mal ela sabia, que eu pretendia ir embora esse verão. Com lágrimas nos olhos, já com o tom entristecido, disse que iria partir. Com câncer. E mal ela sabia, que eu também pretendia partir. Por suícidio.

Consequências.

Em cada dia resumido da minha vida, ela se torna mais complicada. Não sei se você entenderia. Para todos proclamo minha derrota, do meu ponto de vista confuso que, de longe, não é nada agradavél ao espírito. Mas, foda-se. Foda-se tudo. Agora irei proclamar através de atos. Sou potente a tal fato que ocorra comigo por minha própria vontade. Por mais que o modo de deliberar das pessoas sejam diferentes do meu, o encanto da minha reação virá em choque concreto transbordando de conselhos encarreirados dos curiosos de plantão. Mas, acho que ninguém entenderia minha fantasia vingativa. E no vácuo dos meus pensamentos só se encontra esse tipo de frieza. Automaticamente me puno se penso em algo satisfátorio. É horrível. Mas eu como eu disse, ninguém deve entender.

Donos de nós mesmos.

E todos que olham pra mim, conhecidos, talvez amigos, parecem não me conhecer. Não olham através de mim, dentro dos meus olhos e tentam enxergar tudo que eu sei ou acho que sinto. Ninguém se esforça em ver, todos dizem que me entendem e me conhecem, mas estão errados. Ah, se eles me conhecessem, se eles me vissem como eu sou… Se olhassem mais por dentro, pra dentro. Se olhassem menos para o que querem enxergar, para o que querem ver, talvez não haveria esta confusão toda, em ser quem somos, sériamos apenas, donos. De nós mesmos, e da nossa própria alma, do nosso próprio percurso.

Devaneios.

Eu tenho essa mania, esse exagero, esse costume, de deixar tudo no lugar. Ou então, pôr, propositalmente tudo para baixo. Nada consegue estar suficientemente bem para mim. Já cansei de procurar nomes - pronomes - verbos que limitem meu estado atual na qual me encontro. Não consigo seguir levantada, em frente. Aparece algo no meu caminho e então, desvario por completa. O nível de ódio e a falta de sanidade em meu corpo e em meu sangue é o suficiente para que eu possa mesclar dos meus próprios devaneios. Tristes devaneios. Tão pobres, porém, com êxito.

Distorção

Para com essa mesmice de sofrer por amor. Maldito coloquialismo tão clichê, meu deus, não percebe? Ainda estou no ponto de partida, e não é por sofrer por essa ignorância totalmente incompreendida pelos outros, na qual chamam de amor. Envelheço 10 anos quando se passa uma semana, todo dia um pedaço de mim morre. E atormentados insistem em dar respostas autoritárias: “a razão de você estar sofrendo é porque você ama. você ama alguém que não te ama”. Não caros amigos, é porque, eu, uma pessoa completamente sentimentalista, frágil e um tanto sublime, sofro por ainda ter olhos de criança. Se me permite dizer, sou uma observadora de dores. E por ser assim, sofro pelo meu próprio eu. Não sei amar, só sei observar, e escrever, entre linhas tortas e confusas, minhas visões de mundo distorcidas. Agora, amor? O amor nem sequer existe pra mim, como posso sofrer por ele?

Sonhos.

Há quem diga que sonhar faz bem. Por trás de todo esse desejo de realejo, existe uma espécie de tristeza transcrita obviamente implicita. Quem sonha e acredita, sempre alcança? Não é como dizem. Alcança só quem corre atrás. Somente. Essa dúvida desventurada na cabeça das pessoas tem que acabar. De uma forma ou de outra, a rancorosa esperança sempre continua perseguindo a existência daqueles que aparentam ter um impulso vital. Uma felicidade interna completamente explanada. Sonhos. Desejos. Esperanças. Um fiel encanto, um doce capricho de criança.

A felicidade não quer ser minha amiga.

Felicidade, onde está você? Quando vou te ter? Eu tenho que ir a tua procura ou você vem até mim? Será que um dia eu já te tive? Ou será que foi apenas uma doce ilusão de criança? Será que já passei por você e não lhe reconheci ou só foi mais um dos meus enganos? Por que você não me responde? Te chamo a tanto tempo… Não suporto mais viver sem você, venha logo.

Que diabos é o amor?

Sejamos diretos: O que é o amor? Ou, o que seria o amor? Acho que cheguei ao ponto de não acreditar em mais nada. Nada existe pra mim. Antes eu ouvia, imaginava, criava. Mas como se não bastasse, a dor impede que esses sentimentos bons existam dentro de mim. Não sei, parece tudo propaganda de outro mundo, onde só eu resido. Somente eu me acomodo. Cansei de ser descartada. Pude chegar a incrível teoria do meu mundo suicida e psicótico que o amor não existe mais. Se é como dizem, ele é algo bom, então, ele é inexistente. Só o que sobra é raiva, e ódio invadindo essa linha de pensamentos confusos.

Sem sentido.

E de repente tudo perde a graça, tudo fica sem cor, cinza, dentro da minha cabeça. Não sei de você, mas tudo já não passa de um descontentamento que se repete. Mil vezes, e parece não ter fim. A tristeza continua dando marteladas em meu coração, a angústia vem de companhia á ela, e esses sentimentos que aparentemente dominam meu corpo suavemente, até eu não ter mais chance de arranca-lo de dentro de mim, não acaba. É sem fim.