terça-feira, 26 de fevereiro de 2013
Espreitada por uma razão.
E enquanto se entretia na alegria da multidão, ela pensava em suícidio. Não era nenhum sinal de claustrofobia nem nada do gênero, ela se sentiu atraída pelo cheiro de liberdade que sentia invisivelmente perto da usina que seu pai trabalhava. Os jovens eram tão alegres ali, aproveitando as ruas acesas com fumaças de cigarro passando por cima deles. As luzes brilhavam como um show de neon. Sentindo o calor afundando em seu corpo e suas veias pulsando paralelamente sem chance de dar suspiros naquele ar puramente sujo, sentindo sua mente apodrecendo junto com aqueles grupos da juventude, não pararia de pensar na estupidez que fazia. Ela dava o seu melhor para se enturmar. E puxavam seu braço, sorriam, riam, como se o mundo fosse acabar naquele instante. E revidava com um rosto sério e confuso. Isso a envergonhava da pessoa que ela era. Seguindo os rótulos que ela prometia nunca seguir, nunca agir como eles, apenas... Socializar. Isolando-se do mundo, e se socializando com ele, era isso que a amedrontava todas as noites, desde que sua amada partiu. E ainda lembrava das palavras que dizia para mãe: "Estou fazendo o melhor que eu posso, estou tentando, acredite em mim, estou buscando uma razão para fazer amigos." E continuou tentando. Mas não fazia mais aquilo por ela. Era pela voz que ela ouvia todos os dias quando acordava. Da sua rainha, da sua amada rainha que agora brilha no paraíso onde ela a pode ver, vagarosamente, com pingos de lágrimas caindo sobre seu rosto. Esse era seu único prêmio da sorte.
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